#0005 Radar Planeja
Radar Planeja #0005 — A vantagem não está em saber tudo. Está em perceber o que importa.
Nesta semana, quatro movimentos diferentes apontaram para uma mesma direção.
A economia brasileira perdeu velocidade. Empresas ainda têm dificuldade para definir onde o Comercial deve concentrar esforços. A Inteligência Artificial começa a ser cobrada por retorno financeiro. E casos reais mostram que a IA já consegue influenciar diretamente o valor das vendas.
O recado para quem administra uma empresa é simples:
crescer pode depender menos de fazer mais e mais de escolher melhor onde colocar dinheiro, pessoas e atenção.
1. Economia mais lenta exige atenção aos números
Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a atividade econômica brasileira avançou apenas 0,2% no segundo trimestre, enquanto o IBC-Br recuou 0,6% em junho em relação a maio.
Isso não significa necessariamente parar de investir ou crescer.
Significa avaliar com mais cuidado contratações, estoques, investimentos, crédito e utilização do capital.
Quando a economia perde velocidade, conhecer os próprios números deixa de ser apenas organização e passa a ser proteção.
2. Comercial: quem realmente merece atenção hoje?
Um estudo sobre vendas em pequenas e médias empresas apontou que 83% das empresas pesquisadas consideram ruim sua capacidade de definir quais clientes e prospects deveriam receber prioridade.
O problema aparece no cotidiano: equipes ligam para quem lembram, retornam para quem cobra e atendem primeiro quem aparece.
Mas oportunidades diferentes não deveriam receber a mesma atenção.
A pergunta passa a ser:
Quem realmente merece nossa atenção hoje — e por quê?
Uma carteira comercial não deveria ser apenas uma lista de clientes. Deveria ajudar a mostrar onde existem oportunidades.
3. A pergunta sobre IA mudou: onde está o retorno?
Depois de uma corrida para adotar Inteligência Artificial, as empresas começam a fazer uma pergunta mais difícil:
Quanto dinheiro isso realmente produziu ou economizou?
Uma pesquisa citada pela Reuters mostrou que apenas 7% dos executivos pesquisados conseguiam demonstrar retorno sobre seus investimentos em IA.
Ao mesmo tempo, os investimentos continuam.
Isso mostra uma mudança importante:
a próxima fase da Inteligência Artificial nas empresas não será provar que ela funciona. Será provar que ela produz resultado.
4. Quando a IA chega perto da decisão
Um caso da rede americana de supermercados Albertsons ajuda a mostrar onde esse resultado pode aparecer.
Clientes que utilizam recursos de busca apoiados por IA apresentam pedidos médios aproximadamente 10% maiores. Em experiências mais completas com assistentes de IA, o aumento chegou a 26%.
A tecnologia está sendo utilizada justamente em um momento importante: ajudar o consumidor a decidir o que comprar.
Existe uma diferença enorme entre uma IA que simplesmente responde perguntas e uma IA que ajuda alguém a tomar uma decisão capaz de gerar resultado.
O valor da IA aumenta quando ela chega perto da decisão.
O que fica desta semana?
Economia, Comercial e Inteligência Artificial parecem assuntos diferentes, mas estão convergindo.
Todos exigem uma capacidade cada vez mais importante de quem administra:
identificar o que realmente merece atenção e agir.
Em um mundo com cada vez mais dados, ferramentas e informações, a vantagem não está em saber tudo.
Está em perceber o que importa e agir antes.
Esse é o Radar Planeja: observar movimentos do mercado e traduzi-los para a realidade de quem precisa tomar decisões todos os dias.
Fontes desta edição: Banco Central do Brasil/Reuters; Sales Xceleration — 2026 State of Sales; Reuters Breakingviews/Ai4 2026, com dados KPMG e BCG; The Wall Street Journal/Albertsons.

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