terça-feira, 18 de agosto de 2026

#0005 Radar Planeja

 

Radar Planeja #0005 — A vantagem não está em saber tudo. Está em perceber o que importa.

Nesta semana, quatro movimentos diferentes apontaram para uma mesma direção.

A economia brasileira perdeu velocidade. Empresas ainda têm dificuldade para definir onde o Comercial deve concentrar esforços. A Inteligência Artificial começa a ser cobrada por retorno financeiro. E casos reais mostram que a IA já consegue influenciar diretamente o valor das vendas.

O recado para quem administra uma empresa é simples:

crescer pode depender menos de fazer mais e mais de escolher melhor onde colocar dinheiro, pessoas e atenção.

1. Economia mais lenta exige atenção aos números

Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a atividade econômica brasileira avançou apenas 0,2% no segundo trimestre, enquanto o IBC-Br recuou 0,6% em junho em relação a maio.

Isso não significa necessariamente parar de investir ou crescer.

Significa avaliar com mais cuidado contratações, estoques, investimentos, crédito e utilização do capital.

Quando a economia perde velocidade, conhecer os próprios números deixa de ser apenas organização e passa a ser proteção.

2. Comercial: quem realmente merece atenção hoje?

Um estudo sobre vendas em pequenas e médias empresas apontou que 83% das empresas pesquisadas consideram ruim sua capacidade de definir quais clientes e prospects deveriam receber prioridade.

O problema aparece no cotidiano: equipes ligam para quem lembram, retornam para quem cobra e atendem primeiro quem aparece.

Mas oportunidades diferentes não deveriam receber a mesma atenção.

A pergunta passa a ser:

Quem realmente merece nossa atenção hoje — e por quê?

Uma carteira comercial não deveria ser apenas uma lista de clientes. Deveria ajudar a mostrar onde existem oportunidades.

3. A pergunta sobre IA mudou: onde está o retorno?

Depois de uma corrida para adotar Inteligência Artificial, as empresas começam a fazer uma pergunta mais difícil:

Quanto dinheiro isso realmente produziu ou economizou?

Uma pesquisa citada pela Reuters mostrou que apenas 7% dos executivos pesquisados conseguiam demonstrar retorno sobre seus investimentos em IA.

Ao mesmo tempo, os investimentos continuam.

Isso mostra uma mudança importante:

a próxima fase da Inteligência Artificial nas empresas não será provar que ela funciona. Será provar que ela produz resultado.

4. Quando a IA chega perto da decisão

Um caso da rede americana de supermercados Albertsons ajuda a mostrar onde esse resultado pode aparecer.

Clientes que utilizam recursos de busca apoiados por IA apresentam pedidos médios aproximadamente 10% maiores. Em experiências mais completas com assistentes de IA, o aumento chegou a 26%.

A tecnologia está sendo utilizada justamente em um momento importante: ajudar o consumidor a decidir o que comprar.

Existe uma diferença enorme entre uma IA que simplesmente responde perguntas e uma IA que ajuda alguém a tomar uma decisão capaz de gerar resultado.

O valor da IA aumenta quando ela chega perto da decisão.

O que fica desta semana?

Economia, Comercial e Inteligência Artificial parecem assuntos diferentes, mas estão convergindo.

Todos exigem uma capacidade cada vez mais importante de quem administra:

identificar o que realmente merece atenção e agir.

Em um mundo com cada vez mais dados, ferramentas e informações, a vantagem não está em saber tudo.

Está em perceber o que importa e agir antes.

Esse é o Radar Planeja: observar movimentos do mercado e traduzi-los para a realidade de quem precisa tomar decisões todos os dias.

Fontes desta edição: Banco Central do Brasil/Reuters; Sales Xceleration — 2026 State of Sales; Reuters Breakingviews/Ai4 2026, com dados KPMG e BCG; The Wall Street Journal/Albertsons.

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