#0011 Radar Planeja
Inflação, pequenos negócios e inteligência artificial: quatro movimentos que merecem a atenção de quem administra uma empresa
Nesta semana, quatro movimentos brasileiros chamaram nossa atenção.
A prévia da inflação voltou a subir, mas um efeito específico da energia elétrica ajuda a explicar boa parte da mudança. A inteligência artificial já chegou à rotina de muitos pequenos negócios brasileiros. Ao mesmo tempo, conforme a IA ganha acesso a mais dados e processos, segurança e controle tornam-se questões cada vez mais importantes. E um caso brasileiro mostra como organizar e automatizar etapas do atendimento pode reduzir drasticamente o tempo de espera do cliente.
Assuntos diferentes que levam a uma reflexão comum:
antes de buscar uma solução, é preciso entender exatamente onde está o problema.
FINANCEIRO — A inflação subiu. Mas o que realmente provocou essa alta?
O IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, depois de registrar queda de 0,40% em agosto.
Com isso, a prévia da inflação acumula 3,82% em 2026 e 4,47% nos últimos 12 meses.
O número chama atenção. Mas sua composição conta uma história mais interessante.
O grupo Habitação avançou 2,07%, enquanto somente a energia elétrica residencial subiu 7,42%, respondendo por uma parcela relevante do IPCA-15 do mês.
Parte desse movimento ocorreu porque agosto havia sido beneficiado pelo Bônus de Itaipu na conta de energia. Com o fim desse desconto, setembro passou a ser comparado com uma base excepcionalmente menor.
Isso oferece um exemplo interessante para qualquer empresa.
Imagine uma despesa que passe de R$ 10 mil para R$ 12 mil.
O aumento de 20% é real.
Mas a decisão de gestão será completamente diferente se o valor anterior estava excepcionalmente baixo por causa de um crédito, desconto ou evento extraordinário.
Por isso, acompanhar apenas a variação percentual pode não ser suficiente.
É preciso entender o que provocou a variação.
Antes de reagir à mudança de um indicador, descubra o que existe por trás dela.
Fonte: Agência Brasil — Prévia da inflação oficial de setembro fica em 0,70%.
COMERCIAL — A inteligência artificial já chegou aos pequenos negócios brasileiros
A utilização de inteligência artificial deixou de ser uma discussão restrita às grandes empresas.
Dados do Sebrae indicam que 52% dos pequenos negócios brasileiros pesquisados utilizaram ferramentas de inteligência artificial nas duas semanas anteriores à entrevista.
Isso aproxima bastante o tema da realidade das pequenas empresas.
Para uma operação comercial com equipe reduzida, a IA pode ajudar a preparar uma abordagem, organizar informações sobre clientes, resumir conversas, melhorar uma proposta, identificar objeções recorrentes ou auxiliar no pós-venda.
Mas existe uma diferença importante entre fazer mais e vender melhor.
Uma empresa pode utilizar inteligência artificial para gerar dezenas de mensagens comerciais e continuar sem saber:
Quantos contatos responderam?
Quantos viraram conversas?
Quantos receberam propostas?
Quantos compraram?
Por que as demais oportunidades foram perdidas?
A tecnologia pode aumentar a capacidade de execução.
Mas ela não substitui a necessidade de acompanhar o processo.
IA pode aumentar a capacidade comercial. Mas fazer mais rápido não significa necessariamente fazer melhor.
Fonte: Sebrae — levantamento sobre utilização de inteligência artificial pelos pequenos negócios brasileiros.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL — Quanto mais acesso damos à IA, maior precisa ser o controle
Existe uma diferença enorme entre utilizar inteligência artificial para escrever um texto e permitir que ela tenha acesso a clientes, documentos, dados financeiros ou sistemas internos.
Conforme empresas avançam na integração da IA aos seus processos, segurança, permissões e governança passam a fazer parte da discussão.
E algumas perguntas tornam-se fundamentais:
Quais informações a IA pode acessar?
Quem autorizou esse acesso?
O que ela pode executar sozinha?
Suas ações ficam registradas?
Uma pessoa consegue revisar ou interromper o processo?
Esse é um passo natural da evolução da tecnologia.
Quando a IA é apenas uma ferramenta individual, o risco tende a ficar concentrado naquela utilização.
Quando passa a integrar processos empresariais, uma ação pode atingir outras informações, clientes ou sistemas.
Quanto maior a integração, maior pode ser o ganho.
Mas maior também precisa ser o controle.
Quanto mais profundamente a IA entra na empresa, menos ela pode ser tratada apenas como uma ferramenta individual.
IA NA PRÁTICA — De 25 minutos para pouco mais de 5 minutos
Um caso brasileiro ajuda a mostrar que melhorar um processo nem sempre exige começar pela automação mais sofisticada.
A rede varejista mineira Edmil enfrentava um problema comum: atendimento e abertura de chamados utilizavam sistemas e canais fragmentados.
Isso gerava retrabalho e aumentava o tempo necessário para atender o cliente.
A empresa reorganizou o fluxo, centralizou informações e automatizou parte das interações pelo WhatsApp, incluindo a triagem inicial e o encaminhamento das demandas aos setores responsáveis.
Segundo os resultados divulgados, o tempo médio de espera caiu de 25 minutos e 30 segundos para 5 minutos e 32 segundos — uma redução de aproximadamente 78%.
A taxa de resposta às pesquisas de pós-venda também passou de 3% para 15%.
O aspecto interessante está justamente na simplicidade do problema.
Parte do ganho não veio de substituir completamente o atendimento humano.
Veio de organizar melhor o caminho percorrido pela informação.
Isso leva a uma pergunta que pode ser feita em praticamente qualquer empresa:
Quanto tempo estamos perdendo entre uma etapa e outra do nosso processo?
Às vezes, existe mais produtividade escondida nessas pequenas esperas do que em uma grande transformação tecnológica.
Antes de automatizar uma função inteira, procure os minutos desperdiçados entre uma etapa e outra.
Fonte: Baguete — case Edmil sobre centralização do atendimento e redução do tempo de espera.
O que levamos desta semana?
Os quatro movimentos desta edição apontam para uma ideia comum.
O IPCA-15 mostra que um número precisa ser explicado antes de se transformar em decisão.
A utilização de inteligência artificial pelos pequenos negócios mostra que a tecnologia já faz parte da realidade das PMEs brasileiras.
O avanço da IA dentro das empresas mostra que, conforme a tecnologia ganha acesso a mais informações e processos, segurança, permissões e controle tornam-se parte da gestão.
E o caso da Edmil mostra que inovação não precisa começar por um projeto gigantesco. Às vezes, ela começa encontrando um gargalo simples, mensurável e que acontece todos os dias.
Talvez essa seja a principal reflexão desta semana:
Gestão não começa no indicador nem na tecnologia. Começa quando conseguimos identificar onde está o problema que merece nossa atenção.
Sobre o Radar Planeja
Radar Planeja é uma curadoria semanal sobre finanças, vendas e inteligência artificial para quem precisa tomar decisões.
Toda semana, selecionamos acontecimentos, pesquisas e casos reais — com prioridade para o Brasil — que merecem alguns minutos da atenção de quem administra uma empresa.
Planeja — Estratégia, Execução e Resultado

0 Comentários:
Postar um comentário
Assinar Postar comentários [Atom]
<< Página inicial